Terça-feira, Maio 31, 2011

A Noite Roxa



URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de António Vaz Pereira

Lisboa, 1956
Livraria Bertrand
1.ª edição
19,2 cm x 12,6 cm
264 págs.
exemplar manuseado mas aceitável; miolo limpo
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor a Merícia [de Lemos] e Jacques [Kügel]
55,00 eur

«Um estilo envolvente e luxuriante como os seus próprios temas, o poder expansivo de criar atmosferas, a adesão visual aos matizes e aos relevos da paisagem, um cunho de exotismo propício à singularidade de certos traços psicológicos, a precisão da bagatela que define uma emoção ou um incidente, a forte claridade das situações-limite, o desbobinar ritmado e sequente do entrecho, a intimidade sensual no seu mais amplo sentido, o verismo flagrante do romanesco, situam-no entre os nossos primeiros novelistas.» (Mário Sacramento, 1959)


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Uma Pedrada no Charco



URBANO TAVARES RODRIGUES
posfácio de Jacinto do Prado Coelho
capa de José Cândido

Lisboa, 1967
Livraria Bertrand
3.ª edição (revista)
19 cm x 12,4 cm
256 págs.
exemplar bem conservado
COM DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
20,00 eur

Acerca de si disse (noutro lugar) o próprio Autor:
«[...] Foi com o meu regresso a Lisboa, ao Alentejo, às raízes, à realidade dolorosa de um país manietado, forçado à mediocridade e à bajulação, que passei do descontentamento à resistência activa.
O êxito dos meus primeiros livros, que foram considerados existencialistas, abriu-me a cancela do jardim das letras, onde encontrei o Aquilino, que admirava quase desde criança (uma verdadeira adoração), e os neo-realistas, com os quais partilhava ideias e projectos, sendo outra a minha estética. [...]
Entre reportagens e crónicas, críticas de teatro, reuniões conspirativas, nunca deixei de ser um leitor compulsivo, com a mesa-de-cabeceira cheia de romances e poemas, devorados por vezes até ao romper do dia. Assim fui enchendo de memórias, umas eufóricas outras amargas, outras até divertidas, o meu observatório íntimo de escritor. Estive ligado à revolta da Sé, em 1959, à intentona de Beja, em 1961, tive amigos escondidos em minha casa com grande angústia da Maria Judite [de Carvalho] (e isso ainda hoje me pesa), conduzi clandestinos no meu carro, convivi com passadores de fronteiras, desvelei noites, gastei por vezes os nervos até ao limite sem deixar de estar, de manhã, a horas no jornal, especialmente nessas ocasiões. [...]» (vd. Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, Porto, Edições Asa, 2003)
Ainda da mesma monografia, Augusto Abelaira opina:
«[...] Se outro valor não possuísse, este livro de Urbano Tavares Rodrigues (Uma Pedrada no Charco) teria esse: o de propor à nossa meditação a trajectória de um artista que não precisava de tocar a tecla do social para se impor às pessoas vivas. Um artista que sem se trair decidiu que a sua obra seguisse por novos caminhos e que deu a muitos escritores (apenas dotados de bons propósitos) uma lição de como é possível conciliar arte e amor pelos homens. [...]»


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As Máscaras Finais


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Luís Filipe Abreu

Lisboa, 1963
Livraria Bertrand, S.A.R.L.
[1.ª edição]
19,1 cm x 12,5 cm
276 págs.
exemplar por abrir, apresentando a lombada descorada por acção continuada da luz
30,00 eur

Apenas uma passagem do pungente fiel retrato de um regime político que se evidenciou pela vileza:
«[...] no fim do espectáculo serei preso.
É verdade: vou ser preso. Cartas anónimas me avisaram da iminência dos castigos que sobre mim impendem. Ontem, ainda, um telefonema caliginoso a prevenir-me. Hoje, um amigo, do lado de lá da muralha do ódio (nascem assim, às vezes, raízes parenteadas nos terrenos mais aversos), a avisar-me, a oferecer-me a casa, como abrigo. Se eles soubessem o que vai em mim, o farrapo que eu sou, apesar de continuar a dizer “Não!”
Já os vi, cá dentro, arreganhados, atentos à minha insignificante pessoa, em meio deste mistifório. Agora tenho a certeza. Vi os que mandam e os que executam. Uns sorriem, os outros afiam o dente. É hoje, com certeza.
Mas a liberdade, agora, a minha, que me importa!
Uma cela estreita, sem luz, tão estreita e tão escura que nela nem poderei ler a marca do alfaiate no forro do casaco. Ou a sala de espera, sempre igual, e um agente horas e horas a olhar para mim, disposto a acordar-me à bofetada, com desculpas polidas, se eu adormecer. E depois outro, e outro, que o hão-de revezar. Não me consentirão que durma, pelo menos durante os primeiros dias, três ou quatro, em que talvez me dêem a comer feijões podres, macarrão e pão azedo – o rancho. E terei de suportar esses degradantes interrogatórios... E hão-de sujeitar-me à violência contínua dos focos luminosos. E o silêncio há-de sufocar-me, por fim. Porque só concebo evidentemente o silêncio, a partir de então... [...]»


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Casa de Correcção



URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1968
Livraria Bertrand
1.ª edição
19 cm x 12,4 cm
188 págs.
capa de José Cândido
exemplar em muito bom estado e por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
40,00 eur

Disse Eduardo Lourenço no prefácio à 2.ª edição do vertente livro: «Ninguém na nossa geração escreveu mais à flor do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. [...] Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. [...]
A um público que nos anos cinquenta das suas novelas cosmopolitas não saía ainda de casa senão para voltar excitado às doçuras arcaicas de um mundo estofado em pele maternal, Urbano comunicou o frisson nouveau de visões, experiências, encontros, notícias, sonhos [...]. Com o mesmo fervor e exaltação, com a mesma equívoca fascinação com que sempre se moveu nas atmosferas onde a pulsão de morte se oferece os refinamentos do desejo ou dos seus simulacros, Urbano Tavares Rodrigues se fará em casa, na plácida e silenciosa casa portuguesa dos anos sessenta, o novelista da subversão nocturna, da revolução marginal [...].» (vd. Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, Porto, Edições Asa, 2003)


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Dias Lamacentos



URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1965
Portugália Editora
1.ª edição
19,5 cm x 13,3 cm
148 págs.
exemplar muito estimado
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
65,00 eur



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Dias Lamacentos


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1965
Portugália Editora
1.ª edição
19,5 cm x 13,3 cm
148 págs.
exemplar muito estimado
55,00 eur

Dirá Eduardo Lourenço em 1979:
«Ninguém na nossa geração escreveu mais à flora do tempo do que Urbano Tavares Rodrigues. [...] Não houve metamorfose da sensibilidade ocidental dos últimos trinta anos, ética, artística, ideológica, curiosidade real ou suporte que não tivesse encontrado eco fascinado, espasmódico ou aflito no homem de espírito romântico e romanesco que é Urbano Tavares Rodrigues. [...]»


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O Mito de Don Juan e o Donjuanismo em Portugal


URBANO TAVARES RODRIGUES

Lisboa, 1960
Edições Ática
1.ª edição
16,4 cm x 11,9 cm
140 págs.
exemplar como novo
35,00 eur

Reunião de três pequenos ensaios, sendo os dois que completam o livrinho, um acerca de Jean Anouilh e o outro acerca de Castro Alves. Aquele que dá o título pode ser posto a par de um, posterior, de José Cardoso Pires, Cartilha do Marialva, ambos vitais para a compreensão de certas atitudes nacionais homofóbicas e até de violência doméstica.


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Domingo, Maio 29, 2011

O Susto


AGUSTINA BESSA LUÍS
capa de [Rogério] Ribeiro

Lisboa, 1958
Guimarães Editores
1.ª edição
18,5 cm x 12,2 cm
336 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
70,00 eur

Segundo António Quadros, em verbete de leitura para o serviço das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, «Trata-se, quanto a nós, do melhor romance de Agustina Bessa Luís. É a biografia de um poeta, que tem sido identificado como Teixeira de Pascoais. Mas é sobretudo uma extraordinária visão da faculdade poética, inserida nas vivências de uma espiritualidade portuguesa. Livro sem dúvida recomendável e o mais claro e nítido dos livros da autora».


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A Muralha


AGUSTINA BESSA LUÍS

Lisboa, 1957
Guimarães Editores
1.ª edição
19,1 cm x 12,4 cm
432 págs.
exemplar estimado, apresenta sinais de vinco no canto superior esquerdo da contracapa; miolo limpo
70,00 eur

Da História da Literatura Portuguesa (António José Saraiva / Óscar Lopes, Porto Editora, 10.ª ed., Porto, 1978):
«[...] Uma das feições mais notáveis do pós-guerra é o desenvolvimento da ficção de autoria feminina, fenómeno aliás universal, mas entre nós de extraordinário relevo histórico-social e temático. [...]
Algumas das melhores revelações femininas podem ligar-se àquela tendência aparentemente demolidora de todas as ideologias, sobretudo disciplinadas e consequentes, que procura atingir a mola íntima, existencial, de liberdade, através de uma nauseada ou angustiada negação sistemática, tão semelhante à teologia negativa dos místicos. [...] Uma negatividade mais radical, nascida de um ainda mais profundo sentido de decadência na burguesia originariamente rural, e servido por uma extraordinária exuberância, algo indisciplinada, de evocações, pormenorizadas até à alucinação ou simplificadas até aos casos patologicamente mais significativos, eis o que informa os romances caudalosos de um dos mais originais ficcionistas de hoje, Agustina Bessa Luís [...].»


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O Sermão do Fogo


AGUSTINA BESSA LUÍS

Lisboa, s.d. [1963 ?]
Livraria Bertrand
[1.ª edição]
19,2 cm x 12,6 cm
284 págs.
capa de Guilherme Casquilho
exemplar em estado muito aceitável
70,00 eur



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A Bíblia dos Pobres: I – Homens e Mulheres; II – As Categorias


AGUSTINA BESSA LUÍS

Lisboa, 1967 e 1970
Guimarães Editores
1.ª edição (ambos)
2 volumes (completo)
20 cm x 14,1 cm
266 págs. + 320 págs.
exemplares muito estimados com um pequeno restauro à cabeça da folha de ante-rosto no livro II
180,00 eur

Da nota de badana do segundo volume:
«[...] As Categorias apresenta o quadro da existência como um grande artesanato de paixões em que a agressão e o tédio são quase os únicos pólos da energia humana.»
E será esta abordagem devassadora dos comportamentos o cerne de toda a obra da Autora, assim como «[...] o tom moralizante, aforístico até, da narradora-autora, voz displicentemente judicativa, veladora casuísta da reputação das suas criaturas. [...]» (cit. Maria Alzira Barahona, in Colóquio / Letras, n.º 3, Setembro de 1971)


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A Mãe de um Rio



AGUSTINA BESSA-LUÍS
JORGE MOLDER


Lisboa, 1981
Contexto, Editora
1.ª edição
15 cm x 22,3 cm (oblongo)
48 págs.
inclui a reprodução de 6 fotografias de Jorge Molder, impressas em duotone
exemplar como novo, apesar dos sinais de acção da luz sobre a cartolina da capa
50,00 eur

«Antigamente, sim, antigamente, a Terra tinha a forma quadrada, e um rio de fogo corria na superfície. [...]», assim abre o texto da nossa mais importante escritora viva, e como uma fábula se desenvolve.


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Sábado, Maio 28, 2011

Deus Lhe Pague...


JORACY CAMARGO
pref. de Procópio [Ferreira]


Lisboa, 1935
Edição do Autor
4.ª edição (especial para Portugal) [1.ª edição]
18,7 cm x 12,3 cm
160 págs.
capa de A. Azevedo
EXEMPLAR AUTENTICADO COM CARIMBO DO AUTOR NO ANTE-ROSTO
em estado razoável; miolo limpo
20,00 eur

Peça de teatro de um humanismo notável:
«[…] Antigamente, tudo era de todos. Ninguém era dono da terra e a água não pertencia a ninguém. Hoje, cada pedaço de terra tem um dono e cada nascente de água pertence a alguém. Quem foi que deu? […] Não foi ninguém. Os espertalhões, no princípio do Mundo, apropriaram-se das coisas e inventaram a Justiça e a Polícia… […] Para prender e processar os que vieram depois. Hoje, quem se apropriar das coisas, é processado pelo crime de apropriação indébita. Indébita, por quê? Porque eles resolveram que as coisas pertençam a eles… […]»


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Quinta-feira, Maio 26, 2011

A Condição Humana


ANDRÉ MALRAUX
trad. e prefácio de Jorge de Sena

capa de Bernardo Marques

Lisboa, s.d. [1958 ?]
Edição «Livros do Brasil» Lisboa
[s.i.]
21,8 cm x 15 cm
256 págs.
capa com o título elegantemente acentuado por relevo seco [o que nos leva a crer tratar-se da 1.ª edição, dado nas edições mais recentes o editor ter optado por plastificação brilhante, e nem sequer com relevo]
exemplar manuseado mas muito limpo, com sinais fortes da presença da luz na lombada
20,00 eur

Do notável Prefácio do escritor Jorge de Sena:
«[...] Malraux é, de facto [...] um filho preclaro da velha sociedade europeia, daquilo a que se convencionou chamar “civilização ocidental”. Foi sempre, porém, um filho rebelado contra o muito que dessa civilização ele sente que se lhe cola à pele. E, como de Rimbaud diz Wilson, dividido entre o “compromisso humilhante” e o “caos não menos humilhante”, e a ambos tentando recusar, e recusando-os efectivamente, na medida em que supera uma antinomia que o puro individualismo (a vaidade da consciência humana individual) não pode, de resto, resolver. [...]»


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Domingo, Maio 01, 2011

L’Anarchisme


HENRI ARVON

Paris, 1951
Presses Universitaires de France
1.ª edição
17,6 cm x 11,5 cm
128 págs.
na conceituada colecção universitária Que Sais-je? (Le point des connaissances actuelles)
manuseado, com o miolo limpo
17,00 eur

Diz-nos logo um Aviso de abertura:
«[...] Il ne s’agit ni d’une apologie, ni d’une réfutation méthodique. Une attitude de combat nous a paru, en effet, anachronique [...]. [...] l’anarchisme a été certainement un courant assez fort qui, même vu à distance, ne semble point négligeable. De nombreux écrivains et artistes, ravis de rencontrer une doctrine qui exaltait l’originalité créatrice, s’en imprégnèrent [...].»
Para além das origens e dos fundamentos históricos da vasta corrente de ideias que se condensam na teoria e na acção anarquistas, Arvon em breve síntese abre-nos, neste seu segundo livro, o caminho da descoberta de compañeros de referência, tais como William Godwin, Stirner, Proudhon, Bakunine ou Tolstoi.


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O Povo em Armas – Buenaventura Durruti e o Anarquismo Espanhol


ABEL PAZ
trad. de Júlio Carrapato


Lisboa, s. d.
Assírio & Alvim
1.ª edição
2 volumes
20,4 cm x 12,2 cm
volume I: 256 págs. + 32 págs. extra-texto com fotos (entre as págs. 118 e 119)
volume II: 264 págs. + 32 págs. extra-texto com fotos (entre as págs. 132 e 133)
exemplares novos
com interesse para a história do anarquismo ibérico e da Guerra Civil espanhola
40,00 eur

Para além do importante retrato do combatente revolucionário referido, trata-se de um extenso acervo dos desenvolvimentos da luta do povo espanhol na Catalunha nos anos que antecederam o triunfo do fascismo franquista.


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