URBANO TAVARES RODRIGUES
posfácio de Jacinto do Prado Coelho
capa de José Cândido
Lisboa, 1967
Livraria Bertrand
3.ª edição (revista)
19 cm x 12,4 cm
256 págs.
exemplar bem conservado
COM DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
20,00 eur
Acerca de si disse (noutro lugar) o próprio Autor:
«[...] Foi com o meu regresso a Lisboa, ao Alentejo, às raízes, à realidade dolorosa de um país manietado, forçado à mediocridade e à bajulação, que passei do descontentamento à resistência activa.
O êxito dos meus primeiros livros, que foram considerados existencialistas, abriu-me a cancela do jardim das letras, onde encontrei o Aquilino, que admirava quase desde criança (uma verdadeira adoração), e os neo-realistas, com os quais partilhava ideias e projectos, sendo outra a minha estética. [...]
Entre reportagens e crónicas, críticas de teatro, reuniões conspirativas, nunca deixei de ser um leitor compulsivo, com a mesa-de-cabeceira cheia de romances e poemas, devorados por vezes até ao romper do dia. Assim fui enchendo de memórias, umas eufóricas outras amargas, outras até divertidas, o meu observatório íntimo de escritor. Estive ligado à revolta da Sé, em 1959, à intentona de Beja, em 1961, tive amigos escondidos em minha casa com grande angústia da Maria Judite [de Carvalho] (e isso ainda hoje me pesa), conduzi clandestinos no meu carro, convivi com passadores de fronteiras, desvelei noites, gastei por vezes os nervos até ao limite sem deixar de estar, de manhã, a horas no jornal, especialmente nessas ocasiões. [...]» (vd.
Urbano Tavares Rodrigues – 50 Anos de Vida Literária, Porto, Edições Asa, 2003)
Ainda da mesma monografia, Augusto Abelaira opina:
«[...] Se outro valor não possuísse, este livro de Urbano Tavares Rodrigues (
Uma Pedrada no Charco) teria esse: o de propor à nossa meditação a trajectória de um artista que não precisava de tocar a tecla do
social para se impor às pessoas vivas. Um artista que sem se trair decidiu que a sua obra seguisse por novos caminhos e que deu a muitos escritores (apenas dotados de bons propósitos) uma lição de como é possível conciliar arte e amor pelos homens. [...]»
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